domingo, 26 de agosto de 2012

O LÚDICO COMO DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO PARA CRIANÇAS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

RUBIA GRACIELA DE SOUZA ARNALDO
1  INTRODUÇÃO
O pesquisa teve como tema o lúdico como instrumento psicopedagógico para crianças com dificuldades de aprendizagem e a contribuição das atividades lúdicas para a atuação do psicopedagogo, tendo como problema, como as atividades lúdicas contribuem para a atuação do psicopedagogo no diagnóstico.
Justifica- se o lúdico como instrumento de aprendizagem na atuação do psicopedagogo, tornado- se freqüente, trazendo um trabalho consciente, observando o avanço de cada caso, tendo a importância de se compreender a dificuldade, procurando desenvolver diariamente atividades com o lúdico, para o diagnóstico da dificuldade de aprendizagem.
O tema teve como fundamento teórico:  A formação social da mente que estuda o sujeito com dificuldade de aprendizagem. Como afirma Vygotsky (2007, p. 2), “[...] o brinquedo exerce enorme influência na promoção do desenvolvimento infantil, apesar de não ser o aspecto predominante da infância. [...] o termo brinquedo refere-se essencialmente ao ato de brincar, à atividade”. O olhar do psicopedagogo deverá ser individual a cada criança, onde, na sessão diagnóstica partindo da queixa recebida seja pelo professor, pais ou instituição, onde após o levantamento de hipóteses e analise das atividades realizadas chegará a um diagnostico, ou seja, a dificuldade do sujeito, correspondendo à faixa etária de idade, realiza o trabalho tendo a finalidade desejada.
            O lúdico deixou de dar sentido apenas ao brincar, completando a vida dos seres humanos, destacando que a atividade lúdica abrange a ação final e os momentos vivenciados pelo sujeito naturalmente.
Há muito tempo vem-se discutindo as questões dos jogos e das brincadeiras, principalmente quais efeitos positivos podem afetar na vida da criança.
O despertar da leitura e escrita é uma ação natural do sujeito, onde o educador é o mediador, tendo por meio de atividades lúdicas apoio à metodologia de alcance da fala e escrita.
As atividades de brincar e jogar, sendo orientadas corretamente por um psicopedagogo, ou outro profissional da área, fornecerá um desenvolvimento em relação a dificuldade de aprendizagem, mudando o comportamento do sujeito, onde estará interagindo naturalmente, permitindo que a mesma desenvolva a coordenação motora, a atenção, desenvolve a expressão corporal, estimulando a iniciativa, dentre outros aspectos.
Segundo Marcelino (1996, p. 38):

É fundamental que se assegure à criança o tempo e os espaços para que o caráter lúdico do lazer seja vivenciado com intensidade capaz de formar a base sólida para a criatividade e a participação cultural e, sobretudo para o exercício do prazer de viver, e viver, como diz a canção [...] como se fora brincadeira de roda [...].
O momento em que a criança está submergida pelo brinquedo torna- se mágico e precioso, expondo a aptidão de observar, mantendo a atenção concentrada e produtiva, explorando naturalmente o brinquedo, mesmo que não seja o que se espera, através da forma em que brinca, o psicopedagogo estará analisando-o, com o intuito de conhecer o comportamento e a interação do mesmo.
O brincar cantado ou de roda favorecem a musicalidade, a dança, dramaturgia, mímica e jogos, (a depender de cada atividade), simbolizando conhecimentos que contribuem para o desenvolvimento do sujeito.
O objetivo geral foi verificar como as atividades lúdicas contribuem para excluir a dificuldade de aprendizagem, através da atuação do psicopedagogo. E tendo como os específicos: avaliar através do diagnóstico a aprendizagem, usando o lúdico na fixação da aprendizagem; compreender como crianças com dificuldade de aprendizagem aperfeiçoam- se com a utilização da metodologia lúdica; citar como o psicopedagogo usa o lúdico no seu trabalho diário.
A metodologia utilizada foi pesquisa bibliográfica de livros, revistas e internet, fazendo com que o artigo tenha informações necessárias para a conclusão, tendo como método o descritiva- exploratória. 
Observar a convivência da criança através da metodologia lúdica, torna- se possível relaciona- la com o mundo em que vive, aperfeiçoando o desenvolvimento da personalidade, onde a mesma, formará opiniões, concretas e coerentes, para o bom convívio, interagindo com o meio em que vive (MAURICIO, 2009).
2 CONTEXTUALIZANDO O LÚDICO
Os jogos são atividades orientadas que auxiliam nas atividades escolares, despertando na criança a dedicação ao jogo, estimulando a leitura e escrita, onde a mesma ingressará na sociedade de forma natural.
Segundo Alves, (1987, p.1), “o lúdico privilegia a criatividade e a imaginação, por sua própria ligação com os fundamentos do prazer. Não comporta regras preestabelecidas, nem velhos caminhos já trilhados, abre novos caminhos, vislumbrando outros possíveis”.
O lúdico não pode ser aplicado apenas como lazer ou diversão, deixando de lado o objetivo de interagir o sujeito ao ambiente em que vive, sendo educativo, sentindo- se atraído pelo brinquedo, cabendo ao psicopedagogo estimular o sujeito a explorar o que lhe for oferecido, sem limite de tempo.
A utilização do lúdico através do psicopedagogo segue as atividades associando o brinquedo a idade adequada, analisando a competência de cada um para o brinquedo que irá utilizar tanto quanto em qualidade, variedade, atividade que será realizada e material utilizado para confeccionar, encontrando nas próprias atitudes a resposta para as necessidades.
2.1 O LÚDICO COMO DIAGNÓSTICO PARA APRENDIZAGEM
Permite- se durante as brincadeiras, que o sujeito consiga controlar as emoções, o medo, alegria, angustia, zanga, contribuir, e compreender o lugar do outro, alcançar e acatar regras. O diagnóstico psicopedagogico compreenderá o sujeito observando os conhecimentos e habilidades, onde suas atividades devem visar um resultado, e uma ação dirigida para a busca de finalidades na aprendizagem.
O papel do psicopedagogo é importante por ser um orientador que auxilia nas experiências educativas e de comunicação. Sabe- se que o sujeito está dependente de situações prontas, portanto, intervir, estimular a curiosidade para conhecer o ambiente que a cerca, solucionando problemas, que possam ocorrer no ambiente escolar, familiar ou social (SILVA, 2006).
A atividade lúdica no diagnóstico conduz o psicopedagogo a conhecer brincando o sujeito analisado, onde sem perceber mostrará o que sabe de forma descontraída, sem a necessidade de intervir ou dar comandos, fazendo com que exponha as dificuldades ou talvez não existam, faltando apenas estimulo ou a forma correta para aplicação do lúdico.
A brincadeira é uma das linguagens utilizadas pelo sujeito, com a utilização da atividade lúdica, fornecendo-lhe um ambiente propício a sua linguagem de comunicação, bem como facilitar o processo de permanência em um ambiente onde se sente acolhida e respeitada.
A atividade lúdica é um instrumento utilizado pelo psicopedagogo para que o sujeito interaja de forma a socializar- se naturalmente:


 ● As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança, e neste sentido, satisfazem uma necessidade interior, pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica;
● O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo. Ele é considerado prazeroso, devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total, criando um clima de entusiasmo. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional, capaz de gerar um estado de vibração e euforia. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola, a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco, canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. Portanto, as atividades lúdicas são excitantes, mas também requerem um esforço voluntário;
Quadro 1: A Importância do Lúdico na Aprendizagem
Fonte: PINHO, Raquel. O LÚDICO NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM, 2009. Disponível em:<http://www.webartigos.com/artigos/o-ludico-no-processo-de-aprendizagem/21258/>. Acesso em: 16 Fev. 2012.
Como citado no quadro 1, o uso do lúdico na pratica psicopedagogica leva o sujeito a criar idéias, definições, ambiente, transformando o físico, deixando- o compatível ao comportamento, à idade de cada sujeito.
A recriação de uma atividade lúdica sofre variações existentes em torno dos jogos de roda, o trenzinho, o esconde-esconde, o pega-pega, levando o sujeito a ‘reviver’ diferentes situações, vivenciadas na infância, brincadeiras que foram passadas de pai para filho (LARA; PIMENTEL; RIBEIRO, 2005).
2.1.1 Jogos
O psicopedagogo utiliza os jogos, visando estimular a forma de pensar do sujeito, em costumes e decisões, que deverão ser rápidas e corretas, sendo utilizadas através de atividades, gerando uma preparação para o desenvolvimento desde a educação infantil até fase adulta.
O aprendizado do sujeito ocorre diferenciadamente, ou seja, em ritmos diferentes respeitando a competência de cada um, sendo necessário, um ambiente adequado, para que ocorra a motivação permitindo a aprendizagem.
O sujeito que não adquiri nas séries iniciais, as competências das disciplinas, possivelmente terá dificuldades de aprendizagem ou emocional, agravando- se a cada ano, vindo a causar frustração e vergonha perante os antigos e novos colegas e às vezes, até pelos professores, tornando – se crianças dispersas e relaxadas com seu material, não se relacionam consigo mesmas e nem com os demais, criando sérios problemas de indisciplinas no convívio escolar, ocorrendo através dos jogos fazendo com que o sujeito desenvolva a auto critica, controlando as emoções, situação vista pelo psicopedagogo através do diagnóstico.
Como cita Piaget (1976, p. 160):
O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório - motor, e de simbolismo, uma assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário, e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso os métodos ativos de educação das crianças, exige a todos que forneça as crianças um material conveniente, afim de que, jogando elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil.
É preciso e importante, que se tenha um espaço 100% estruturado, como, brinquedos complexos, para que ao brincar, o sujeito na escola, com o auxilio do educador, que precisa ser criativo, improvisando brinquedos, objetos simples, fáceis de serem encontrados e utilizados, podendo ser construídos em classe, com materiais reciclados tais como, garrafas plásticas e cordão, tendo o auxilio psicopedagogico, orientando com objetivos a serem alcançados nas confecções e brincadeiras.
A criança precisa e deve explorar naturalmente o brincar, mesmo que não seja o esperado. Por vezes desmontam, tiram peças, não cabendo ao psicopedagogo induzir a atitude do sujeito ou intervir no faz de conta, poderá sim, intermediar a inclusão de brinquedos ou brincadeiras que possivelmente o sujeito não tenha notado,ouvindo- a, motivando- a, a falar, refletir e inventar.
2.1.2 Música
  A música tem variados aspectos, o lado técnico que demanda pensamento claro, lógico e matemático no estudo da acústica, da ciência do som, despertando habilidades motoras na execução de um instrumento ou no canto, tendo grande valor recreativo. Através da música o sujeito expressa as experiências e o significado da vida na pratica cotidiana e não apenas um lúdico realizado em festas.
As brincadeiras cantadas e de roda, propiciam ao psicopedagogo conhecer o sujeito, expondo o que sabe, contribuindo para o diagnostico, sendo observada a lateralidade, ritmo, compreensão do comando corporal.
De acordo com Noda (2000, p. 2), “[...] as brincadeiras cantadas integram o conjunto de cantigas próprias da criança e por ela entoadas em seus brinquedos ou ouvidas dos adultos quando pretendem fazê-la adormecer ou instruí-la, transmitidas pela tradição oral”.
A meta da brincadeira cantada é analisar a coordenação motora; rítmico; realizar a socialização; despertar para a música e o movimento; melhorar o contato entre ambos os sexos; disciplinar emoção; timidez, agressividade, incentivar a expressão e a criatividade (LARA; PIMENTEL; RIBEIRO, 2005).
3 ETAPAS DO DIAGNÓSTICO
As dificuldades de aprendizagem são identificadas, após o psicopedagogo receber a queixa sobre o sujeito, seja da escola, dos pais, ou do educador diretamente, realizando sessões diagnósticas com o sujeito, utilizando algumas avaliações através de sessões, sendo no mínimo dez.
Como cita Weiss (1992, p.) como referência para o diagnóstico, EFES[1], EOCA[2], Sessões lúdicas centradas na aprendizagem, Anaminese, Provas e testes, síntese diagnóstica, Entrevista de devolução e encaminhamento.
Poderão ocorrer modificações nas atividades a depender da queixa recebida, tendo o psicopedagogo que determiná-la.  
3.1 ENTREVISTA FAMILIAR EXPLORATÓRIO SITUACIONAL (E. F. E. S.)
Na Entrevista Familiar Exploratória Situacional (E. F. E. S.) o psicopedagogo compreende as queixas da escola e familiar, planejando de forma dinâmica uma analise das pessoas que fazem parte da família.
3.2 EOCA
A EOCA é baseada na psicopedagogia social de Pichón Rivière, sendo um objeto simples, mas rico nos resultados, onde o sujeito mostra ao entrevistador o que sabe, o que lhe ensinaram, e o que aprendeu a fazer (SAMPAIO,2004, apud, VISCA, 1987).
A EOCA é a primeira sessão com a criança, antes mesmo de entrevistar os pais utilizando a anaminese, onde o entrevistador estará analisando exclusivamente o saber do entrevistado sem interferência. Sampaio (2004, p. 3) propõe que:
[...] iniciar o diagnóstico com a EOCA e não com a anamnese argumentando que "[...] os pais, invariavelmente ainda que com intensidades diferentes, durante a anamnese tentam impor sua opinião, sua ótica, consciente ou inconscientemente. Isto impede que o agente corretor se aproxime 'ingenuamente' do paciente para vê-lo tal como ele é para descobri-lo.

3.3 ENTREVISTA DE ANAMNESE
O psicopedagogo inicia a entrevista ouvindo os pais, sem presa, deixando-os lembrar cada fato com detalhes, sendo importante que a entrevista seja autentica, para que não influencie nos resultados.
Segundo Moura (2009, apud, WEISS 2003, p. 61) o objetivo da anamnese é:                     
[...] colher dados significativos sobre a história de vida do paciente, [...] toda anamnese já é, em si, uma intervenção na dinâmica familiar em relação à "aprendizagem de vida". No mínimo se processa uma reflexão dos pais, um mergulho no passado, buscando o início da vida do paciente, o que inclui espontaneamente uma volta à própria vida da família como um todo.
Todos os movimentos dos pais deverão ser colocados na observação da anamnese, se houve discordância de algum relato, se tiveram duvidas, se não respondeu a alguma pergunta por que, dados que no na devolutiva terão validade para o diagnóstico.
3.4 SESSÕES LÚDICAS CENTRADAS NA APRENDIZAGEM (PARA CRIANÇAS)
O psicopedagogo utiliza o lúdico como atividade complementar visando levantar hipóteses observando o brincar do sujeito, analisar a criatividade do mesmo levando- o a explorar o seu eu.
Como cita Meyer (2007, p.1), “a criança com dificuldades de aprendizagem muitas vezes é rotulada, sendo chamada de “perturbada”, incapaz “ou” retardada”.
  O jogo não deve ser visto apenas como uma distração para o sujeito, o mesmo desenvolve a iniciativa, alto- estima e em alguns casos retrata o ambiente familiar.
3.5 PROVAS E TESTES
O objetivo das provas projetivas é investigar o sujeito sobre as competências que possui sendo, escolar, familiar e consigo mesmo, onde Sampaio observa que:
O princípio básico é: de que maneira o sujeito percebe, interpreta e manuseia o material ou a reflexão dos aspectos fundamentais, onde detecta- se dificuldades afetivas existentes no processo de aprendizagem de nível geral e especificamente escolar (SAMPAIO, 2004, apud WEISS 2003).
3.6 SÍNTESE DIAGNÓSTICA
Ao final das sessões o psicopedagogo avaliará todas as atividades realizadas, os objetivos alcançados, e levantará uma hipótese, dando inicio a analise e o diagnostico indicando o tipo de dificuldade do sujeito, dando o resultado final a queixa inicial.
O psicopedagogo deverá analisar minuciosamente, pois deverá está convicto para expor a dificuldade na devolutiva e solicitar o encaminhamento.
Como cita Morais (2010, p. 12) apud PAÍN (1992, p. 69), uma vez recolhida toda a informação (...) é necessário avaliar o peso de cada fator na ocorrência do transtorno da aprendizagem.
3.7 ENTREVISTA DE DEVOLUÇÃO E ENCAMINHAMENTO
A entrevista de devolução e encaminhamento é o momento em que o psicopedagogo reuni- se com o sujeito e depois com o queixoso, para informar a conclusão relação ao sujeito. Por ser um momento esperado por ambos, onde o profissional devera está atento as possíveis duvidas sobre o relatório ou a aplicação das atividades.
Ao sujeito será relatado de inicio palavras de auto-estima, evitando colocá-lo em situação onde possa se culpar por ter a dificuldade, mostrando- a possíveis atitudes para melhorar a aprendizagem.
Aos pais, pontuar possível super proteção, como auxiliar nas atividades de casa e, se necessário, um encaminhamento ao profissional que o psicopedagogo julgue necessário para o tratamento.
4 PRINCIPAIS DIFICUDADES DE APRENDIZAGEM
O olhar psicopedagogico utiliza o diagnostico para avaliar o fato que possa ter ocasionado a dificuldade, seja orgânica ou emocional, analisando o possível estado de tristeza, desordem, desinteresse, processos que desencadeiam a desmotivação ao aprendizado, onde pais e professores conceituam como desatenção escolar (BARROS, 2012).
Ribeiro (2011, p. 1) conceitua a dificuldade de aprendizagem como, [...] um termo geral que se refere a um grupo heterogêneo de desordens manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e utilização da compreensão auditiva, da fala, da leitura, da escrita e do raciocínio matemático.
Segundo Santos; Santos (2007, p. 1):
O objetivo do diagnóstico não é a inclusão do sujeito em uma categoria do não aprender, mas obter uma compreensão global da sua forma de aprender e dos desvios que estão ocorrendo neste processo que leve a um prognóstico e encaminhamento para o problema de aprendizagem.
O profissional indicará a dificuldade de aprendizagem, através do que foi produzido na sessão diagnóstica realizadas pelo psicopedagogo clinico, onde indicará uma das dificuldades em que o mesmo se encontra, onde após a devolutiva aos ‘queixoso, se dará inicio a intervenção e a compreensão de como se trabalhar com o sujeito para integração escolar e social.
A psicopedagogia é uma área que direciona sua investigação com auxilio de outras profissionais como, Psicologia, Psicanálise, Lingüística, Fonoaudióloga, Medicina, Neurologista, Pedagogia, criando um grupo para auxiliar em possíveis doenças que não façam parte da área do psicopedagogo, auxiliando no diagnostico dando suporte que o ajudará a conhecer ou reconhecer as dificuldades para um possível encaminhamento.
4 .1 DISLEXIA
O sujeito com dislexia tem disfunção neurológica, que afeta a leitura e escrita, tendo dificuldades em associar sons e letras não sendo considerada uma doença, mas um distúrbio, necessitando de um acompanhamento multidisciplinar, que desenvolverá um estudo para  que o mesmo compreenda os sentidos e a intuição dos atos.
Segundo Sampaio (2009, p. 1), [...] dislexia é um termo que se refere às crianças que possui dificuldade na leitura e consequentemente na escrita, apesar do nível de inteligência ser normal ou acima da média.
O diagnóstico deve ser estudado minuciosamente, excluindo possíveis semelhanças com outras dificuldades, sendo a metodologia para alfabetiza- la   diferenciada, pois tem dificuldade em pronunciar os fonemas, os livros devem ser motivacionais, para o uso do lúdico sendo importante jogos que contenham letras.
4.2 DISGRAFIA
O disgráfico tem uma tarefa difícil, a escrita, sentindo-se cansado, tendo a mesma como desafio, tem diferentes graus de dificuldade tais como, descer e subir escadas, utilizar tesouras, andar de bicicleta, amarrar o cordão dos sapatos, jogar ou pegar a bola, dentre outras (LEVINE, 2012).
Disgrafia segundo Sampaio (2009, p. 2), é a dificuldade na escrita, também chamada de letra feia. Isso acontece devido a uma incapacidade de recordar a grafia da letra. Ao tentar recordar este grafismo escreve muito lentamente o que acaba unindo inadequadamente as letras, tornando a letra ilegível.
           O sujeito deve ser avaliado continuamente, evitando repreensões, e marcações em sua atividade a exemplo de canetas vermelhas, evitando ocasionar à baixa alto estima.
4.3 DISCALCULIA
A Discalculia é confundida por educadores ou pais como preguiça, sendo a mesma uma dificuldade em matemática, levando o sujeito ao fracasso escolar por não finalizarem simples operações de calculo, tais como uma conta de adição. 
Sampaio (2004 apud Carraher 2002, p. 72) afirma que:
Vários estudos sobre o desenvolvimento da criança mostram que termos quantitativos como “mais”, “menos”, “maior”, “menor” etc. são adquiridos gradativamente e, de início, são utilizados apenas no sentido absoluto de “o que tem mais”, “o que é maior” e não no sentido relativo de”, “ter mais que” ou “ser maior que.
O aluno com Discalculia, sendo acompanhado por um psicopedagogo, irá orientar o educador do mesmo a trabalhar o lúdico, visando auxiliar na classificação, habilidades motoras espaciais e contagem em sala de aula, sanando a dificuldade e recuperando a auto-estima (SAMPAIO, 2009).
4.4 TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO (TDA) COM OU SEM HIPERATIVIDADE
               O sujeito com TDAH, não frenquenta a escola em tempo regular, pois torna- se para o mesmo cansativo, não conseguindo ficar em um ambiente por muito tempo.
Sampaio (2004, p. 1), cita que, caracterizada por freqüentes estados de desatenção, de impulsividade e, geralmente, por um excesso de atividade motora (hiperatividade) que podem interferir com a capacidade do indivíduo para a aprendizagem; pode ocorrer concomitantemente com outras DA.
A criança hiperativa destaca- se globalmente, por ser desorganizada, distraída, sem limites, não realizando as atividades completamente prejudicando o desenvolvimento escolar, sendo visto como problema pelo educador, onde não o respeita, tirando a concentração dos colegas, através de brincadeiras inoportunas. O educador deverá está atento ao comportamento do sujeito, com problemas em casa, procura extravasar na escola através da inquietude, sendo confundidos com hiperativos, cabendo a escola encaminhá-lo ao psicopedagogo para um diagnóstico detalhado (SAMPAIO, 2009).
5 O SURGIMENTO DA PSICOPEDAGOGIA CLINICA NO BRASIL
No século XIX a atenção de um grupo composto por educadores, psiquiatras e neuro- psicanalistas, voltaram- se para um comportamento preocupante, o não aprendizado. Iniciou- um estudo que apontasse uma metodologia para a educação. A Argentina destacou- se especializando- se em tratar a dificuldade de aprendizagem, onde o trabalho existe há 30 anos. No Brasil, após estudiosos trabalharem a dificuldade como disfunção cerebral, chega na década de 70 a psicopedagogia sendo destacadas por diferentes estudiosos dentre os mesmos Visca (GRANDJEAN-THOMSEN, 2008).
Segundo Santos (2010, p. 1), [...] a Psicopedagogia é uma ciência que tem como objeto de estudo, o sujeito aprendiz. O psicopedagogo após levantamento de hipóteses, ao longo do processo ‘investigativo’ e diagnostico, interpreta o que lhe foi observado orientando- o para intervenção.
A psicopedagogia no Brasil surgiu em 1996. Através da Assembléia Geral no 3º Congresso Brasileiro de Psicopedagogia, onde o Código de Ética indica a área de atuação seja da saúde e educação, clinica ou institucional, trabalhando com a aprendizagem humana (MARTINS, 2007).
O Brasil ao corrigir injustiças, discriminações, provocar a inclusão social de todos na educação brasileira, garantiu a organização estável de crianças, jovens e adultos com necessidades especiais no sistema regular de ensino. Como afirma Vaz (2009, p. 1), a educação é um direito fundamental de todos, mulheres e homens de todas as idades, no mundo inteiro.
6 ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO PARA CRIANÇAS COM DIFICULDADES ATRAVÉS DO LÚDICO
O psicopedagogo trabalha com o lúdico no diagnóstico, porém o mesmo não pode avaliar pessoas de seu convívio ou aproximação de familiares, pois tal fato influenciará nos resultados, recomendando que seja avaliado por um colega sem aproximação.
O lúdico auxilia o psicopedagogo, de forma a trabalhar com o sujeito extrovertidamente, levando a socializar- se, expondo suas duvidas, limitações, dificuldades, timidez, auxiliando através das atitudes um direcionamento para o diagnostico e a intervenção.
Como cita Morais (2010 p. 9), no enfoque psicopedagógico os jogos representam situações-problemas a serem resolvidos, pois envolvem regras, apresentam desafios e possibilita observar como o sujeito age frente aos mesmos, qual sua estrutura de pensamento, como reage diante de dificuldades.
O lúdico não pode ser aplicado exclusivamente como brincadeira, mas como uma atividade voltada para o ensino aprendizagem, sendo planejada anteriormente com objetivos especifico a serem alcançados.
O psicopedagogo utiliza diferentes instrumentos para o diagnostico entre os mesmo o lúdico, a exemplo, música, analisando no sujeito a conclusão do comando, a lateralidade, a postura, em um quebra cabeça a formação da figura do mesmo, observações importantes que conduzirão para devolutiva, informando ao pai o a dificuldade ou se o mesmo a possui.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Percebeu- se no artigo a importância do lúdico como instrumento psicopedagógico para crianças com dificuldades de aprendizagem, levando o mesmo a conhecer o sujeito de forma espontânea e divertida.
Verificou- se que o lúdico não é apenas brincar, possui objetivos a serem observados pelo olhar psicopedagogico que levará um diagnostico e a identificação da dificuldade de aprendizagem do sujeito.
O trabalho relatou o surgimento, a contextualização do lúdico, a Discalculia, TDAH, Disgrafia e dislexia, como algumas das dificuldades de aprendizagem, e a atuação do psicopedagogo com a utilização lúdica, como apoio ao diagnostico, sendo realizado com avaliações e provas.
Conclui- se que o uso lúdico auxilia o psicopedagogo para o diagnóstico da dificuldade de aprendizagem, de forma descontraída, dando ao profissional o material necessário para que possa de forma segura, realizar a devolutiva e encaminhar o sujeito a intervenção psicopedagogica ou ao profissional responsável.
O objetivo foi alcançado com êxito expondo as atividades lúdicas para o diagnóstico psicopedagogo, onde o mesmo o utiliza de forma descontraída com o sujeito, levando- o a expor o que sabe de forma natural e espontânea, assim realiza as atividades que de forma clara auxiliará o mesmo a chegar a uma hipótese final.




[1]Entrevista Familiar Exploratória Situacional.
[2] Primeira sessão com a criança, antes mesmo de entrevistar os pais.